Abstração

março 30, 2011 at 12:37 am (Positiva)

Pouco confuso. Essa é a verdade!

-(—- Abstração

Escrevi isso aqui enquanto estava a derivar.
– De quê? – ouvi alguém caçoando o erro de português.
Mal sabia que não era eu o errado
E não sabia que ler um texto sem conhecer o contexto é ignorância.
Mirei sua burrice com os olhos e proferi:
– Toda frase deveria terminar com um ponto final.

—-)-

Musa. DCLXVI

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Fraqueza

março 27, 2011 at 7:37 pm (Neutra, Reflexiva)

É…

-(—- Fraqueza

Apanhei-me prostrado na minha cama novamente
Você tão em cima de mim como se realmente estivesse aqui
Tão distante que não quero te ver
E eu tão velho como se fosse passado

Conheço-me de forma subjetiva, de forma a me deixar
Abandono-me a cada vez que me arrependo
Cada vez que quero me matar
Cada vez que sou covarde e ignorante
Toda vez que não sou racional

E por decisão própria, vou me levantar
E nunca mais estarei vulnerável a ninguém

—-)-

Musa. DCLXVI

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Mente

março 23, 2011 at 1:43 am (Reflexiva)

Uma distorção direcionada. Uma aleatoriedade convergente. Meu texto, minhas regras.
#oDonoDaBolaFeeling

-(—- Mente

Você volta como nunca
Assim que saio do chuveiro começam a pingar minhas lembranças
Se estivesse bêbado faria enchente
Bolei um plano de seda e fumei
Sou incapaz de ser grosso, a grosso modo
Cachorro que depois de apanhar lambe a mão do dono
Está intrínseco que acabarei com o mundo em minha mente
Doentia, analítica, estrategista, manipuladora
Esqueço minha faculdade, faculdade de ser eu
Me arrisco a fantasiar minha fé
E, como de praxe, deito, durmo e esqueço pelas próximas horas

—-)-

Musa. DCLXVI

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Interino

março 20, 2011 at 9:24 am (Neutra, Reflexiva)

Esse disco arranhado sempre toca a mesma música, o mesmo trecho, o mesmo tom.

-(—- Interino

Há tempos que não te vejo chorar
E há tempos que não sou sincero
Este céu ficou vermelho
Eu simplesmente assisto, espero

Empunho nervosismo armado com ferida
Inconsequente, inconsciente, impotente
Conseguir lidar tão bem com tudo
Mas perder o controle da mente

Todo mundo tem dentro de si escuridão
Como o palhaço que dá tortadas com ódio
Como o medo que domina em toda situação

Eu vejo e não aceito, corrói
Sempre quis amar alguém
Não mais o quero, pois ainda dói

—-)-

Musa. DCLXVI

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Carência

março 13, 2011 at 6:10 pm (Positiva, Reflexiva)

Vivendo uma realidade alternativa.

-(—- Carência

Domingo a tarde,
Fui encontrar aquela amiga que tanto prezava
Indiferente de atração sexual, ouvia o que ela chorava com tanto desespero
Ela sabia que eu daria minha sensível e sincera opinião
Pelo menos ela esperava isso

Discorreu bastante, embora eu mal entendesse as palavras misturadas entre lamúrias e suspiros
“Calma, tá tudo bem, você tem de aprender a viver sem isso”
Me pareceram bem colocadas as palavras
Apesar do que saía de sua boca soar quase como som instrumental
Notas, tons e sensações, nada sólido, nada realmente compreensível

Meu interesse em entendê-la era total
Totalmente inexistente
Estava absorto no que estaria acontecendo no jogo
Futebol ainda era minha paixão
Só não podia decepcionar minha amiga com a falta de minha presença
Física, com bônus da ausência psicológica

Ela foi embora com um sorriso, chorando mas sorrindo
Sabia o que tinha acontecido durante nossa conversa quase monólogo
Ainda sim me mandou uma SMS
“Você é meu melhor amigo, seu desgraçado. Obrigada. Te amo.”
Por pior que eu seja,
Sei como foi importante eu estar ali
E sei como é importante ninguém saber o que você sente

—-)-

Musa. DCLXVI

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Trem

março 2, 2011 at 2:48 am (Negativa, Reflexiva)

Com as opiniões da Volponi e da Nanda (e revisão desta última), postarei esta jornada filosófica por uma amizade. Desta vez, um conto!

-(—- Trem

Estava empolgado, há muito tempo que não voltava pra casa. Não precisava de bagagem, em casa tinha tudo: roupas, carinho, atenção, pessoas que amo, senhores dizendo que me carregaram no colo quando eu era um toquinho. Ah, que saudades! As praças e noites da cidade natal! Nada como lembranças e expectativas!

O trem partiu da estação pouco cheio, mas o caminho ainda era longo, exaustivo. Não que me importasse, afinal, como as horas íam passando, a distância entre mim e o meu lugar ía diminuindo. Até caminhar seria válido se soubesse olhar mapas e seguir placas. É uma pena ser desnorteado.

As horas passavam e as pessoas íam mudando, chegando mais, saindo mais. Gente bonita, feia, cheirosa, fedida, distraída, concentrada, indiferente. Era interessante pensar se o que se passava na cabeça delas era tão intenso quanto o que se passava na minha, mesmo com certeza de que não pareciam felizes com a viagem. Tentei conversar com algumas pessoas que sentavam próximas, mal humoradas como toda pessoa que não tem dinheiro para viajar de avião. Sou exceção e tentava mostrar que o trem tinha suas vantagens. Até que uma senhora de idade me perguntou porque diabos eu não calava minha maldita boca, para não dizer as palavras ofensivas que ela proferiu ao se dirigir a mim. Fiquei assustado e contive minha alegria para meus pensamentos.

Foram 8 horas de viagem. Neste tempo, o trem, já não mais tão lotado, estava preenchido apenas com adormecidos adultos e seus filhos jogando algum video game portátil. Minha excitação já havia diminuído com o cansaço e com aquela conversa intimidadora da velhinha que havia descido poucos minutos antes de eu tomar a iniciativa de jogá-la pela janela, para sorte dela. O trem parava. Estação final. Me levantei e fui saindo com o maior sorriso que conseguia dar, minhas típicas olheiras e cabelo despenteado.

Aí aconteceu o baque. Finalmente entendi o mau humor de todas aquelas pessoas que vi nas últimas horas. Me senti o pior estorvo do mundo refletindo no tanto que incomodei. A estação estava vazia, a não ser pelos viajantes que chegavam e pelos funcionários. Não havia ninguém me esperando, nenhuma placa de bem-vindo de volta, nem um abraço que eu tanto esperava, nada. Minha decepção estava tão explícita em minha face que o diretor da estação me deu um tapa no ombro e falou: “É, agora você sabe como as pessoas são…”. Em seguida, me ofereceu um bilhete para eu pegar o trem de volta. Aceitei, agradeci, virei as costas e nunca mais peguei outro trem.

—-)-

Musa. DCLXVI

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