Calado

fevereiro 29, 2012 at 5:07 am (Uncategorized)

Quando se coloca em cheque tudo que você só tem a perder.

-(—- Calado

Como de praxe, te encontro por acaso
Dessa vez convido-lhe para uma bebida
Distinta ocasião, visto meu gênio difícil
E faço minha intenção suficientemente percebida

Você aceita, já sabendo que vai se arrepender
Pouco importa, às vezes nos vemos obrigados
Desvia olhares e engole em seco
A verdade dói mais quando somos culpados

Eu vejo seu desconsertar e desconforto
Não vou parar para fazer média
Desabafo, tiro tudo do meu peito e derrubo em ti
Faço tudo em nome da tragédia

De cabeça leve e em um estranho êxtase
Sorrio e tomo um soco na cara
Eu não mereci, mas quase levei calado
Confesso que é coisa rara

Despeço-me de tudo que nunca quis deixar ir
Talvez com uma ponta de abandono
Desilusão em um copo de gin
Dos meus sentimentos um outono

A vida de um romântico só se completa com sofrimento
Vi como nada fui, nada sou e nada sei
Então que reparei no lado negro da lua
E ele é mais escuro que imaginei

—-)-

Musa. DCLXVI

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Cronologia

fevereiro 27, 2012 at 5:20 am (Uncategorized)

Deixei que a cronologia fizesse o trabalho.

-(—- Cronologia

Alguma vez que olhou pra si
Não viu nada e procurou em outrem
Transformou tudo em tragédia
Entregou-se a música
Deixou-se levar pela estrada
Afogou-se em meio sua mentira e masoquismo
Não piscou e mentiu uma lágrima
Olhou pro alto e gritou em loucura
Viu uma estrela oscilar ao seu olhar
Levou sua racionalidade lástima ao álcool
Falhou em sua maior causa
Achou que a piscina era rasa
Ficou em inércia e conheceu a gravidade
Viu que se virou pro lado errado
E apenas decidiu aguentar

—-)-

Musa. DCLXVI

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Lágrimas Rasas I

fevereiro 24, 2012 at 5:02 am (Uncategorized)

Porque não choramos apenas quando estamos tristes.

-(—- Lágrimas Rasas I

A noite pulsa pensamentos
Meus dedos tremem com minha imaginação
Tanta intensidade, tanto momento
Vejo-me jogado em teus encantos
Em meio aos teus perfeitos defeitos
Teu sorriso que sempre queria estar certo
E teu olhar distante em reflexão
Vejo o brincar de teu andar
Entre gargalhadas desajeitadas
Timidez de querer esconder algo belo
E a preocupação com seus silêncios
Comigo apenas a admirar
A cara enfezada
Com as bochechas apertadas para agradar
Teu aceitar ser, ouvir e estar
Nada mais e nada menos, ideal
Pois vou te dar algumas palavras
Sentidas, vividas e minhas

Eu queria sorrir para ti só desta vez
E te dizer que não queria mais nada nesta vida

—-)-

Musa. DCLXVI

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Relaxo

fevereiro 20, 2012 at 2:00 am (Uncategorized)

Seu cabelo foi embora com sua juventude.

-(—- Relaxo

Ausência é uma coisa tão relativa
Quando precisas, nem mesmo estás presente
Escapismo de realidade diz-se vício
Com as pernas tremendo ao ruído da tua voz
Disfarçado em pensamentos divergentes

O inspirar que tornou-se carbônico
Pura nicotina no ar puro do interior
Enquanto enegrecem seus pulmões em demasia
Tua alma vai-se encantando com o horror

Temporariamente, de repente, é tão perpétuo
Que tens completa consciência de teu defeito
Espelha-se ao teu redor ao se importar
Pensas em flashs, em todos teus feitos

Mesmo que não faças sempre sentido
Gostas mesmo é de se expressar
Quem não tem a mente vazia
Sempre tem a si com quem conversar

—-)-

Musa. DCLXVI

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Brincadeira

fevereiro 14, 2012 at 1:06 am (Uncategorized)

Adquirindo, seguindo e descartando neste ciclo infinito.

-(—- Brincadeira

Conversamos todos os dias
Comigo, contigo, conosco e ainda falamos sozinhos
Nos rebelamos contra nossos antigos eus
Sem saber que tudo que repudiamos é o que somos
E que tudo que queríamos é vizinho

Eu te olho como quem não quer nada
Os olhos que não deixam mentir para o observador
Elogio como faria com qualquer verdade
Pensando em sua relatividade na minha realidade
Sentindo o punhal em minhas costas torcer
Sorrindo e fumando meu corpo nu em dor

E me olhas como quem me lê
Sádica vontade de ver minhas faces e expressões
Nesses movimentos de batuta e piscadelas alternadas
Espero que tenha alguém olhando por mim
Pois é possível, mas quero nunca ouvir dizer
‘Foram palavras ao vento perto do poder da sedução’

Como última cartada, lavo minhas mãos
Tiro da cartola um presente que sempre quis te dar
Uma brincadeira de verdade onde todos possam rir
Uma oportunidade perdida que nunca vai se repetir
Esse carinho não é eterno se não for real
Assim como a última despedida em um acenar

Musa. DCLXVI

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Telefone

fevereiro 5, 2012 at 6:40 pm (Uncategorized)

Quando a ficha cai.

-(—- Telefone

Telefonei para ouvir-te um momento
Tua voz chorosa continha certa raiva
Deveras, visto o tanto que me ausento
“Sem motivos”, apenas isento

De vez em quando é bom fazer falta
Cultivar esperanças
Talvez ignorar tua pauta
E cantar uma nota mais alta

O tanto que quis me desabar em ti
Com socos disfarçados de palavras
É o tanto que sofri e sorri
Calado, mas quase morrendo ali

Só desta vez eu queria te contar
Toda rejeição por simples charme
Não há desculpas para remediar
Menos ações para cicatrizar

Eu te desliguei de tudo que foras
O mal que me fizeste está muito além
A ideia de você estar aí fora
Não me alegra mais, não mais agora

—-)-

Musa. DCLXVI

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