Eu

março 31, 2012 at 9:14 am (Uncategorized)

Apenas eu.

-(—- Eu

Fazia um tempo que eu não sorria
Que não achava graça do quanto sou estúpido
Rir um pouco dos antigos medos
E apenas curtir intrépido

Vontade de compartilhar meu sentimento
Abraçar até uma porta em meu caminho
Ser inanimado fora de desenhos animados
Mas ainda posso desabafar carinho

Só me faltou um brinde regado a amor
Eufemismo pra álcool, é óbvio
Pois fui inabalável até que me abalaram
E segui sem respiradas de alívio

A existência se mostrou tão opcional
Que nem todo semblante se formou perfeito
Vultos conjugados com imaginação
Estranhas piscadelas, tiques e trejeitos

No momento, eu só quero eternidade
Como se fosse simples um pedido assim
Tanto faz se não é realmente eterno
Mas cada segundo está sendo infinito pra mim

—-)-

Musa. DCLXVI

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Olhos Mortos

março 14, 2012 at 2:10 am (Uncategorized)

Pink Floyd, cigarro e preocupações.

-(—- Olhos Mortos

A brisa bate indiferente
Fria nesta noite de verão
Olhos mortos olhando o nada
Estou sozinho

A sensação de solidão
Sempre senti algo, mesmo acompanhado
Cortar as asas e voltar a me bastar
Não achei que fosse precisar de novo

Ouço gritos e vejo sombras
Tem alguém aí pensando em mim?
Aposto em energias ruins
Sinto as cartas do mago, do homem enforcado e da morte
Pregadas em minha face
Debochando de minha sorte

Acredito no destino
Como acredito em tornar tudo bom com um sorriso
Não adianta se choro por dentro
Enterrei a esperança com minha felicidade temporária
Estou sozinho

Esta morte dos meus ídolos
Transformação de mim no meu alter ego
Criação de uma mente pouco acostumada a aceitação
Um carinho viria a calhar, até eu me enjoar
E descartar como a agulha do meu calmante

Agora é hora de ir
Ter o meu tempo para mim mesmo
Procurar um abraço que seja meu
Que eu não recuse ou faça por fazer
Eu preciso é saber lidar com o que me faz bem
Sem achar que isso me torna mais fraco
Libertar as correntes que me mostram altivo
E aceitar que não preciso estar sozinho

—-)-

Musa. DCLXVI

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Navegante

março 13, 2012 at 1:28 am (Uncategorized)

Sempre queremos ter um lugar para onde voltar.

-(—- Navegante

Foram dias em turbilhão
Um triângulo das bermudas
Alguns não restaram para contar histórias
Outros ainda viram suas musas

Tivemos horas de tensão
Confundiamo-nos ao cumprimentar
Ao escolher a melhor joia
Substituíamos a saudade pelo sonhar

Os tempos em que vi e víamos
Cada donzela do mar e seus cantos
Meras ilusões causadas pelo rum
Ainda sorríamos para seus encantos

Acreditávamos haver um mar para onde voltar
Assim como esporadicamente tínhamos águas calmas
Queria largar essas supostas aventuras
E rir de tudo que torturou nossas almas

Nós sentíamos o peso do tempo
Em praias e oceanos que visitamos demais
Agora que aportei em meu novo antigo lar
Espero que não chova mais
E espero que não chova nunca mais

—-)-

Musa. DCLXVI

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Despedida

março 10, 2012 at 7:25 am (Uncategorized)

Quando a lealdade é menor em uma das extremidades, há de haver uma expectativa em ruína.

-(—- Despedida

Como vai, meu amigo?
De novo com aquele papo de não me toque
É embaraçoso seu jeito
Por mais que tente fingir
Conheço bem seus traços
Arrisco-me a dizer que conheço-o direito

Por que não vomita e melhora?
Sei que isso não é bem expulsável
Mas sabe como qualquer dose
Acaba com sua memória
E um cigarro com sua consideração
Grosserias não vão te livrar dessa tosse

E se eu te oferecer para pagar a conta?
Comprar tua amizade novamente
Convencer outrem a tentar convencê-lo
Distrair-te em meus devaneios
Mesmo sabendo o que resolveria isto
Você sabe, não hei de fazê-lo

Então, você se sente usado?
Bom, não posso mentir que não foi
Você me amou e serviu de abrigo
Não tenho direito de reclamar
Vou apenas deixar-te curtir seu “feliz para sempre”
Com um adeus, meu amigo

—-)-

Musa. DCLXVI

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Barreira

março 8, 2012 at 3:14 am (Uncategorized)

Não consigo mais escrever coisas infantis e puras. Acho que fui corrompido.

-(—- Barreira

Como são as quedas atenuadas pelo ar
Inevitáveis como a morte
Tive sentimentos que se foram
Em uma brisa a me aliviar

Como rumo não quero mais ter
Indeciso sobre o céu e o inferno
Joguei os dados buscando conselhos
Sem nada a perder

Como a lua ilumina minha cabeça
Vejo o passado e desejo seu mal
Entreguei minhas esperanças a outrem
Esperando que te esqueça

Como vem a distribuir doença
É meu gelo e minha vacina
Da sobriedade que me mantém mórbido
Seu egoísmo que nunca pensa

Como as trevas engolem a luz
Meu coração degenera-se em escuridão
Para que eu possa reconstituir
A barreira que nunca pus

—-)-

Musa. DCLXVI

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Repúdio

março 6, 2012 at 1:06 am (Uncategorized)

“Aquele que luta com monstros deve se acautelar para não tornar-se também um. Quando se olha muito tempo para um abismo, o abismo olha para você.”
Nietzsche

-(—- Repúdio

Entreguei-me aos prazeres da vida
Pode-se dizer vil a ação
Mas nunca disse que era carnal
Um orgasmo em uma conversa
Parece algo tão intelectual

A gente se escreve aos moldes da evolução
Mais próximo de degeneração e regressão
Onde ‘Eu te amo’ equivale a um ‘bom dia’
Digo que nunca uso essas palavras em vão
Só quando sinto a realidade em sintonia

Por isso é difícil achar algo real
As pessoas inibem o sentimento antes de sentir
Julgam atos libidinosos como cumprimentos
Consideram carinhos e afeto abomináveis
Esquecendo do quanto pode durar um momento

Amamos tanto quanto imaginamos
Que a força do apego é mero interesse podre
Escárnio de pessoas superficiais que fomento
E com minha borracha vou apagando
Minhas rasuras e, vulgarmente, meus pensamentos

—-)-

Musa. DCLXVI

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