Transparência

agosto 10, 2016 at 1:54 am (Uncategorized)

-(— Transparência

 – Conversa comigo. Abra seu coração.
– Converso, mas abro entre sims e nãos.
– Queria fazer as coisas desaparecerem.
– Eu queria que elas simplesmente não fossem.
– E você ainda me impede e nega minha ajuda.
– Não quero encontrar outros Judas.
– E isso a torna independente?
– Ao meu ver, sim, mas não ao seu olhar doente.
– Bom que sabe. Como tiro sua solidão?
– Não pode, o passado e presente me tocam como canção.
– Sei o quanto música afeta seu humor.
– Minha vida e humor, um sádico eufemismo de horror.
– Sem falar nesse drama exagerado.
– Será que dizer “exagerado” não é um pouco errado?
– Talvez se eu soubesse a sua intensidade.
– Talvez se eu tivesse intimidade.
– Você sabe que eu tento.
– Você podia ser mais atento.
– Possível. Eu ainda me pergunto se você aprecia meu tentar.
– Não estou sempre a te lembrar?
– Esquece. Nada a ver.
– Agora o dramático é você.
– De acordo. Só que você tende a desaparecer.
– Não é só com você que sou meio ausente.
– Mas o medo é de que seja permanente.
– Acha mesmo que eu o faria?
– Não, mas tenho medo de que chegue esse dia.
– Não prometo o que não posso cumprir.
– Não era bem isso que eu queria ouvir.
– Não deixa de ser verdade.
– Não gosto de sentir saudade.
– Ia ser bom controlar os sentimentos.
– Ou esquecer um ou outro momento.
– Vamos tomar um café e esquecer essa conversa?
– Por acaso está com pressa?
– Quero sair desses pensamentos.
– Melhor cura é café e alimentos.
– Você até que me conhece um pouco.
– E você ainda acha que sou louco.
– Logico, você continua mesmo já me conhecendo.
– Você que não vê o que estou vendo.
– Isso parece legal. Queria me ver como me vê.
– Um dia você vai entender.
– Obrigada por me dar atenção.
– Só espero que nossa conversa não tenha sido em vão.

—)-

Musa. DCLXVI

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Unidade

agosto 1, 2016 at 11:53 pm (Uncategorized)

Something old. Something new.

-(— Unidade

Disfarçado num sorriso brando
Nada parece fora do comum, não hoje
Pelo menos é o que faz-se perceber
E engana-se com o que ouve

De repente, preocupa-se com a não-unidade
Como pôde perder-se em um beijo?
Nem atribuiu valor, mas algo mudou
E mudança faz-se seu indesejo

Entende de solidão ao olhar-se
E pensa sobre a vida, sempre em demasia
Não para, como nunca mais vai,
E continua, como nunca iria

Então desconsidera-se nesse dia
Nada foi e jamais aconteceu
Assim morre em deleite de outros dias
E pensa sobre o que é realmente seu

—)-

Musa. DCLXVI

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