Falsificadores

janeiro 11, 2012 at 4:54 am (Negativa, Neutra)

É o que acontece quando nos calamos perante um sentimento que grita dentro de nós.

-(—- Falsificadores

A gente não sabe o que fazer
Sempre acha, nunca reconhece
Navalha-se a cada piscar
Orgulha-se de nunca ceder

A gente não sabe se expressar
Sempre esconde, nunca expõe
Enquanto o coração se consome
Solta soluços à luz do luar

A gente não sabe definir
Sempre enrola, nunca explica
Deprime-se sozinho
E espera o sono vir

A gente não sabe pedir
Sempre faz charme, nunca retribui
Não espera e quer mais
Sente o corpo todo tinir

A gente não sabe lidar
Sempre se preocupa, nunca demonstra
Não quer ouvir o sussurro
Não tem coragem de abraçar

A gente sabe estar
A gente sabe assistir
A gente sabe enganar
A gente sabe sorrir
A gente sabe calar
A gente sabe fingir

E como sabemos fingir…

—-)-

Musa. DCLXVI

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Findo

outubro 8, 2011 at 1:13 am (Negativa)

Quanto mais você tenta, mais você se envolve, mais você se fode.

-(—- Findo

Nos conhecemos há uns anos
Você com seu jeito inseguro
Eu lerdo e despreparado
Um casal quase de solteiros
Encarando desfiladeiros

Em meus medos, eu via seu sorriso
E você me sorria
Apenas para que eu parasse de tremer
Olhava-me sinceramente, quase um olhar sem graça
Encenava essa tragédia farsa

Você me mentiu o que achava merecido
Acreditei em minha inocência
Mas a verdade sempre vem a tona
Mal me conheço pra dizer que te odeio
Tampouco de onde estou no meio

Não sabe como me entorpece
Como me tira o controle
Desse meu jeito todo quieto e desligado
Adeus, sua mentirosa desgraçada
Seus prantos não mudam mais nada

Mesmo assim, ainda acredito no amor
Tanto faz o que aconteceu
Foi bom não deixar isso crescer
Deixar-me corroer
Murchar no jardim e apodrecer

E é por sua causa que ainda creio
O amor morreu com a razão
E te sou grato por não deixar que terminássemos,
Apesar de todo quando,
Comigo ainda te amando

—-)-

Musa. DCLXVI

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Da noite

maio 5, 2011 at 1:54 am (Negativa, Reflexiva)

Não me orgulho de tudo que faço, digo, escrevo. Mas assumo quem eu fui, sou, serei.

-(—- Da Noite

Quão pequeno um dia sou
Grandiosa essa existência
Trilhando os caminhos noturnos
Escudo, promessa e paciência

As estrelas que nos olham
Explodiram-se em fervor
Baniram meu bem querer
Aboliram o meu amor

A lua e sua luz
Tanto diz e não me fala
É beleza que encanta
Sinceridade que nunca falha

Sobre as nuvens que atrapalham
Digo são e digo que sei
Não depredam o céu da noite
Teto digno de rei

Amanhã que nos espera
Chuva vem e molha o chão
Quisesse eu poder um dia
Ser feliz na solidão

Imagino e vejo pouco
Não cresci e sou semente
Conheço a vida faseada
Quem nasce e cresce mente

O pensamento que vos fala
Não te muda e não te induz
Voaram de uma cabeça inerte
E no papel então eu pus

—-)-

Musa. DCLXVI

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Estrangeiro

abril 18, 2011 at 1:35 am (Negativa, Reflexiva)

Países. Pessoas. Diplomacia.

-(— Estrangeiro

Me encontro, vos encontro
Onde estamos eu não sei
O que vou, não sei se vou,
Fazer, errar, quebrar a lei

Nos encontro no reflexo
Abraçados ou guerreando
Quero luta, quero paz
Sem pensar, nos machucando

Pego o pó, nos arrumamos
Eu me drogo, vocês maqueiam
Disfarçamos realidade
Explodimos as barreiras

Eu me mato em angústia
Vocês assentem com louvor
Não derramam uma lágrima
Não dividem minha dor

Vou deitar em minha cama
E pegar meu violão
Escrever como odeio
Essa triste solidão

—-)-

Musa. DCLXVI

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Trem

março 2, 2011 at 2:48 am (Negativa, Reflexiva)

Com as opiniões da Volponi e da Nanda (e revisão desta última), postarei esta jornada filosófica por uma amizade. Desta vez, um conto!

-(—- Trem

Estava empolgado, há muito tempo que não voltava pra casa. Não precisava de bagagem, em casa tinha tudo: roupas, carinho, atenção, pessoas que amo, senhores dizendo que me carregaram no colo quando eu era um toquinho. Ah, que saudades! As praças e noites da cidade natal! Nada como lembranças e expectativas!

O trem partiu da estação pouco cheio, mas o caminho ainda era longo, exaustivo. Não que me importasse, afinal, como as horas íam passando, a distância entre mim e o meu lugar ía diminuindo. Até caminhar seria válido se soubesse olhar mapas e seguir placas. É uma pena ser desnorteado.

As horas passavam e as pessoas íam mudando, chegando mais, saindo mais. Gente bonita, feia, cheirosa, fedida, distraída, concentrada, indiferente. Era interessante pensar se o que se passava na cabeça delas era tão intenso quanto o que se passava na minha, mesmo com certeza de que não pareciam felizes com a viagem. Tentei conversar com algumas pessoas que sentavam próximas, mal humoradas como toda pessoa que não tem dinheiro para viajar de avião. Sou exceção e tentava mostrar que o trem tinha suas vantagens. Até que uma senhora de idade me perguntou porque diabos eu não calava minha maldita boca, para não dizer as palavras ofensivas que ela proferiu ao se dirigir a mim. Fiquei assustado e contive minha alegria para meus pensamentos.

Foram 8 horas de viagem. Neste tempo, o trem, já não mais tão lotado, estava preenchido apenas com adormecidos adultos e seus filhos jogando algum video game portátil. Minha excitação já havia diminuído com o cansaço e com aquela conversa intimidadora da velhinha que havia descido poucos minutos antes de eu tomar a iniciativa de jogá-la pela janela, para sorte dela. O trem parava. Estação final. Me levantei e fui saindo com o maior sorriso que conseguia dar, minhas típicas olheiras e cabelo despenteado.

Aí aconteceu o baque. Finalmente entendi o mau humor de todas aquelas pessoas que vi nas últimas horas. Me senti o pior estorvo do mundo refletindo no tanto que incomodei. A estação estava vazia, a não ser pelos viajantes que chegavam e pelos funcionários. Não havia ninguém me esperando, nenhuma placa de bem-vindo de volta, nem um abraço que eu tanto esperava, nada. Minha decepção estava tão explícita em minha face que o diretor da estação me deu um tapa no ombro e falou: “É, agora você sabe como as pessoas são…”. Em seguida, me ofereceu um bilhete para eu pegar o trem de volta. Aceitei, agradeci, virei as costas e nunca mais peguei outro trem.

—-)-

Musa. DCLXVI

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Histórico

fevereiro 3, 2011 at 5:58 pm (Negativa, Reflexiva)

Rimar me dá uma preguiça tão grande agora xD

-(—- Histórico

Você está diferente
É, acho que ficamos velhos
Quase 5 anos, certo?
Ainda não consigo lidar com a culpa de ter te repelido

Sei que não te apontei uma arma
Ou ameacei estrangular
Foi pior, muito pior
Apaguei a estrela mais brilhante no céu
E sabia que você a amava

Meu reflexo não quer mais me encarar
Eu queria me jogar por aí, como fiz nos últimos anos
Me afogar em más lembranças
Tentar sofrer o tanto que merecia

Não sei bem se isso é me tratar
Estou em constante quimioterapia
A sensação de tentar não é suficiente, não faz voltar
Mas a mágoa e arrependimento voltam
Tudo que eu já fiz de ruim sempre volta

—-)-

Musa. DCLXVI

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Outono em Paris

agosto 22, 2010 at 3:19 am (Negativa, Reflexiva) (, , , )

Saudades.

-(—- Outono em Paris

É outono em Paris
Sabe-se não só pelas plantas
Ventos frios, quase mórbidos
Qualquer bem estar o clima espanta

As folhas caem sem serem percebidas
Em seus xilemas corre veneno
Dispersando no ar com movimentos distintos
São corpos dançando no sereno

Observo tudo ao meu redor esvaecer
Permaneço incólume, indiferente
Já padeceu o que foi a primavera
Mas não significa que está ausente

—-)-

Musa. DCLXVI

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Chama

agosto 14, 2010 at 4:14 am (Negativa, Neutra, Positiva, Reflexiva) (, , )

Foi difícil classificar essa poesia nas categorias. Selecionei muitas. Podre de sono. Dormir.

-(—- Chama

Digo que amo, atarracado que sou
Fosse alguém que me ferisse por opção
Seria menos forte, menos meu
Horas que não queria estar são

Acredito estar bem, pura verdade
Talvez esse romance ainda viva em mim
Sabe-se lá o que é eterno
Chama essa que ainda não teve fim

Toma meu lugar, sentimento
Vaza, transborda por essas pálpebras fechadas
Rega com tua intensidade
Essa semente que foi abandonada

—-)-

Musa. DCLXVI

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Visões

junho 28, 2010 at 3:15 am (Negativa) (, , , )

Ultimamente não preciso estar mal para escrever. Acho que estou aprendendo a ter perspectiva ao escrever, ao ver a vida de uma forma mais literária. Às vezes, o exagero e o drama em cada pedaço de mau acontecimento pode gerar uma trágica história pseudo-fantasiosa.

-(—- Visões

Se fosse possível
Eu deixava, nem ligava
Não sentiria
Não transformava

Se fosse plausível
Eu degenerava, nem preocupava
Não veria
Não falava

Se fosse provável
Eu desleixava, nem importava
Não cuidaria
Não pensava

Se não fosse impossível
Eu estaria iludido

—-)-

Musa. DCLXVI

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Imagens dos olhos do reflexo

maio 23, 2010 at 8:22 pm (Negativa) (, , , )

Dia ruim. Nada pra fazer, nada pra pensar, nada pra gastar, nada pra distrair.
Voltando a postar poesias de 2006.
And here we go.

-(— Imagens dos olhos do reflexo

Noite, bela noite
Estrangulada e eterna
Em que cada gota de suor
Uma vida esvai-se em dor
E um piscar de olhos condena ao sono sem fim

Os olhos ardentes
Abertos e assustados
Com o belo show de horror que lhes foi mostrado

As cicatrizes mentais
Inexistentes
O espelho não quis mostrar o reflexo

A máscara
Cobria a mentira
Trouxe dignidade ao demônio

O sangue
Escorrente e serpenteante
Sai da boca como palavras de consolo

As correntes
Antigas e inquebráveis
Nunca liberaram uma alma em desespero

O espelho nunca teve o que refletir…
—)-

Musa. DCLXVI

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