Casa dos Espelhos

junho 30, 2011 at 2:17 am (Reflexiva)

Mostrei o blog para uma colega de trabalho ontem. Faz tempo que não posto algo, não? (:

-(—- Casa dos Espelhos

Por que examina tanto aquele buraco na parede?
Sente-se no sofá, pegue um drink
Veio de tão longe, não foi pra elogiar minha casa
E sei que não olha para minhas cortinas

Desculpe-me o sorriso sem graça
Lembrança mal vinda, péssima hora…
Pois prossiga, me diga o que não veio fazer
Já que uma conversa subjetiva parece atraente

O céu está claro, amanhece ou anoitece?
Me conheceu suficiente pra poder saber da realidade
Sou um restaurador, restauro peças valiosas
Não um mágico cretino que faz tudo desaparecer dentro de si

Certo, serei racional e ouvirei toda sua voz
Cada traço dos seus pensamentos, emoções
Me torture e me mate com cada ação e criação
Mas pelo amor de Deus, pare de me olhar nos olhos

—-)–

Musa. DCLXVI

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Fases

maio 10, 2011 at 9:41 pm (Neutra, Reflexiva)

E é o outono chegando…

-(—- Fases

Foram as folhas caindo
Bem, talvez o que caiu fosse mais abstrato
Estranho como o peso e distância não faziam o impacto
Nunca ouvi falar da gravidade fazendo pacto

Tempo corre como se eu quisesse
As horas que me são roubadas
A percepção que me foi alterada
Estou distante e disforme, não lembro nada

Fazendo classificação de vontade
Talvez o que rolou fosse iminente
Ou iminente fosse a gente
Garantia de incerteza evidente

A primavera que está por vir
Pode ser a pior nevasca que presenciei
Tanto faz se chove sangue, eu sei
Abrigo seguro, certamente terei

—-)-

Musa. DCLXVI

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Da noite

maio 5, 2011 at 1:54 am (Negativa, Reflexiva)

Não me orgulho de tudo que faço, digo, escrevo. Mas assumo quem eu fui, sou, serei.

-(—- Da Noite

Quão pequeno um dia sou
Grandiosa essa existência
Trilhando os caminhos noturnos
Escudo, promessa e paciência

As estrelas que nos olham
Explodiram-se em fervor
Baniram meu bem querer
Aboliram o meu amor

A lua e sua luz
Tanto diz e não me fala
É beleza que encanta
Sinceridade que nunca falha

Sobre as nuvens que atrapalham
Digo são e digo que sei
Não depredam o céu da noite
Teto digno de rei

Amanhã que nos espera
Chuva vem e molha o chão
Quisesse eu poder um dia
Ser feliz na solidão

Imagino e vejo pouco
Não cresci e sou semente
Conheço a vida faseada
Quem nasce e cresce mente

O pensamento que vos fala
Não te muda e não te induz
Voaram de uma cabeça inerte
E no papel então eu pus

—-)-

Musa. DCLXVI

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Estrangeiro

abril 18, 2011 at 1:35 am (Negativa, Reflexiva)

Países. Pessoas. Diplomacia.

-(— Estrangeiro

Me encontro, vos encontro
Onde estamos eu não sei
O que vou, não sei se vou,
Fazer, errar, quebrar a lei

Nos encontro no reflexo
Abraçados ou guerreando
Quero luta, quero paz
Sem pensar, nos machucando

Pego o pó, nos arrumamos
Eu me drogo, vocês maqueiam
Disfarçamos realidade
Explodimos as barreiras

Eu me mato em angústia
Vocês assentem com louvor
Não derramam uma lágrima
Não dividem minha dor

Vou deitar em minha cama
E pegar meu violão
Escrever como odeio
Essa triste solidão

—-)-

Musa. DCLXVI

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Fraqueza

março 27, 2011 at 7:37 pm (Neutra, Reflexiva)

É…

-(—- Fraqueza

Apanhei-me prostrado na minha cama novamente
Você tão em cima de mim como se realmente estivesse aqui
Tão distante que não quero te ver
E eu tão velho como se fosse passado

Conheço-me de forma subjetiva, de forma a me deixar
Abandono-me a cada vez que me arrependo
Cada vez que quero me matar
Cada vez que sou covarde e ignorante
Toda vez que não sou racional

E por decisão própria, vou me levantar
E nunca mais estarei vulnerável a ninguém

—-)-

Musa. DCLXVI

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Mente

março 23, 2011 at 1:43 am (Reflexiva)

Uma distorção direcionada. Uma aleatoriedade convergente. Meu texto, minhas regras.
#oDonoDaBolaFeeling

-(—- Mente

Você volta como nunca
Assim que saio do chuveiro começam a pingar minhas lembranças
Se estivesse bêbado faria enchente
Bolei um plano de seda e fumei
Sou incapaz de ser grosso, a grosso modo
Cachorro que depois de apanhar lambe a mão do dono
Está intrínseco que acabarei com o mundo em minha mente
Doentia, analítica, estrategista, manipuladora
Esqueço minha faculdade, faculdade de ser eu
Me arrisco a fantasiar minha fé
E, como de praxe, deito, durmo e esqueço pelas próximas horas

—-)-

Musa. DCLXVI

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Interino

março 20, 2011 at 9:24 am (Neutra, Reflexiva)

Esse disco arranhado sempre toca a mesma música, o mesmo trecho, o mesmo tom.

-(—- Interino

Há tempos que não te vejo chorar
E há tempos que não sou sincero
Este céu ficou vermelho
Eu simplesmente assisto, espero

Empunho nervosismo armado com ferida
Inconsequente, inconsciente, impotente
Conseguir lidar tão bem com tudo
Mas perder o controle da mente

Todo mundo tem dentro de si escuridão
Como o palhaço que dá tortadas com ódio
Como o medo que domina em toda situação

Eu vejo e não aceito, corrói
Sempre quis amar alguém
Não mais o quero, pois ainda dói

—-)-

Musa. DCLXVI

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Carência

março 13, 2011 at 6:10 pm (Positiva, Reflexiva)

Vivendo uma realidade alternativa.

-(—- Carência

Domingo a tarde,
Fui encontrar aquela amiga que tanto prezava
Indiferente de atração sexual, ouvia o que ela chorava com tanto desespero
Ela sabia que eu daria minha sensível e sincera opinião
Pelo menos ela esperava isso

Discorreu bastante, embora eu mal entendesse as palavras misturadas entre lamúrias e suspiros
“Calma, tá tudo bem, você tem de aprender a viver sem isso”
Me pareceram bem colocadas as palavras
Apesar do que saía de sua boca soar quase como som instrumental
Notas, tons e sensações, nada sólido, nada realmente compreensível

Meu interesse em entendê-la era total
Totalmente inexistente
Estava absorto no que estaria acontecendo no jogo
Futebol ainda era minha paixão
Só não podia decepcionar minha amiga com a falta de minha presença
Física, com bônus da ausência psicológica

Ela foi embora com um sorriso, chorando mas sorrindo
Sabia o que tinha acontecido durante nossa conversa quase monólogo
Ainda sim me mandou uma SMS
“Você é meu melhor amigo, seu desgraçado. Obrigada. Te amo.”
Por pior que eu seja,
Sei como foi importante eu estar ali
E sei como é importante ninguém saber o que você sente

—-)-

Musa. DCLXVI

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Trem

março 2, 2011 at 2:48 am (Negativa, Reflexiva)

Com as opiniões da Volponi e da Nanda (e revisão desta última), postarei esta jornada filosófica por uma amizade. Desta vez, um conto!

-(—- Trem

Estava empolgado, há muito tempo que não voltava pra casa. Não precisava de bagagem, em casa tinha tudo: roupas, carinho, atenção, pessoas que amo, senhores dizendo que me carregaram no colo quando eu era um toquinho. Ah, que saudades! As praças e noites da cidade natal! Nada como lembranças e expectativas!

O trem partiu da estação pouco cheio, mas o caminho ainda era longo, exaustivo. Não que me importasse, afinal, como as horas íam passando, a distância entre mim e o meu lugar ía diminuindo. Até caminhar seria válido se soubesse olhar mapas e seguir placas. É uma pena ser desnorteado.

As horas passavam e as pessoas íam mudando, chegando mais, saindo mais. Gente bonita, feia, cheirosa, fedida, distraída, concentrada, indiferente. Era interessante pensar se o que se passava na cabeça delas era tão intenso quanto o que se passava na minha, mesmo com certeza de que não pareciam felizes com a viagem. Tentei conversar com algumas pessoas que sentavam próximas, mal humoradas como toda pessoa que não tem dinheiro para viajar de avião. Sou exceção e tentava mostrar que o trem tinha suas vantagens. Até que uma senhora de idade me perguntou porque diabos eu não calava minha maldita boca, para não dizer as palavras ofensivas que ela proferiu ao se dirigir a mim. Fiquei assustado e contive minha alegria para meus pensamentos.

Foram 8 horas de viagem. Neste tempo, o trem, já não mais tão lotado, estava preenchido apenas com adormecidos adultos e seus filhos jogando algum video game portátil. Minha excitação já havia diminuído com o cansaço e com aquela conversa intimidadora da velhinha que havia descido poucos minutos antes de eu tomar a iniciativa de jogá-la pela janela, para sorte dela. O trem parava. Estação final. Me levantei e fui saindo com o maior sorriso que conseguia dar, minhas típicas olheiras e cabelo despenteado.

Aí aconteceu o baque. Finalmente entendi o mau humor de todas aquelas pessoas que vi nas últimas horas. Me senti o pior estorvo do mundo refletindo no tanto que incomodei. A estação estava vazia, a não ser pelos viajantes que chegavam e pelos funcionários. Não havia ninguém me esperando, nenhuma placa de bem-vindo de volta, nem um abraço que eu tanto esperava, nada. Minha decepção estava tão explícita em minha face que o diretor da estação me deu um tapa no ombro e falou: “É, agora você sabe como as pessoas são…”. Em seguida, me ofereceu um bilhete para eu pegar o trem de volta. Aceitei, agradeci, virei as costas e nunca mais peguei outro trem.

—-)-

Musa. DCLXVI

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Liberdade

fevereiro 6, 2011 at 11:24 pm (Positiva, Reflexiva)

Que fim de semana mais relaxante! Amanhã aula de leve pra lembrar porque sempre quero férias e pra mandar meus amigos tomarem no cu.

-(—- Liberdade

Esse é bem o tipo de noite que gosto
Boas companhias, não ostentei vício algum
Exceto pelo céu, que ainda me embreaga só de mostrar a lua

Queria matar uma saudade
Talvez duas ou três
Mas o poder fazê-lo ou não me fez sentir livre
Desocupado, inocente e desinteressado

Peguei meu netbook e uma dose de cachaça
Continuei minha noite na cama
Refletindo o quão longe um combustível pode te levar
Sem ao menos te tirar fisicamente do lugar

A gente cresce e corrompe nossa imaginação
Põe-se em um mundo de pessimismo ao invés de sempre matar o dragão
Voamos longe, onde a razão é quase inóspita
Pra descobrirmos que, no final, não foi tão difícil assim

A gente só repara que está preso
Nem percebe que a chave está ao alcance
Todas as nossas barreiras são psicológicas
Inclusive os tabus do amor e liberdade

—-)-

Musa. DCLXVI

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