Repúdio

março 6, 2012 at 1:06 am (Uncategorized)

“Aquele que luta com monstros deve se acautelar para não tornar-se também um. Quando se olha muito tempo para um abismo, o abismo olha para você.”
Nietzsche

-(—- Repúdio

Entreguei-me aos prazeres da vida
Pode-se dizer vil a ação
Mas nunca disse que era carnal
Um orgasmo em uma conversa
Parece algo tão intelectual

A gente se escreve aos moldes da evolução
Mais próximo de degeneração e regressão
Onde ‘Eu te amo’ equivale a um ‘bom dia’
Digo que nunca uso essas palavras em vão
Só quando sinto a realidade em sintonia

Por isso é difícil achar algo real
As pessoas inibem o sentimento antes de sentir
Julgam atos libidinosos como cumprimentos
Consideram carinhos e afeto abomináveis
Esquecendo do quanto pode durar um momento

Amamos tanto quanto imaginamos
Que a força do apego é mero interesse podre
Escárnio de pessoas superficiais que fomento
E com minha borracha vou apagando
Minhas rasuras e, vulgarmente, meus pensamentos

—-)-

Musa. DCLXVI

Link permanente Deixe um comentário

Calado

fevereiro 29, 2012 at 5:07 am (Uncategorized)

Quando se coloca em cheque tudo que você só tem a perder.

-(—- Calado

Como de praxe, te encontro por acaso
Dessa vez convido-lhe para uma bebida
Distinta ocasião, visto meu gênio difícil
E faço minha intenção suficientemente percebida

Você aceita, já sabendo que vai se arrepender
Pouco importa, às vezes nos vemos obrigados
Desvia olhares e engole em seco
A verdade dói mais quando somos culpados

Eu vejo seu desconsertar e desconforto
Não vou parar para fazer média
Desabafo, tiro tudo do meu peito e derrubo em ti
Faço tudo em nome da tragédia

De cabeça leve e em um estranho êxtase
Sorrio e tomo um soco na cara
Eu não mereci, mas quase levei calado
Confesso que é coisa rara

Despeço-me de tudo que nunca quis deixar ir
Talvez com uma ponta de abandono
Desilusão em um copo de gin
Dos meus sentimentos um outono

A vida de um romântico só se completa com sofrimento
Vi como nada fui, nada sou e nada sei
Então que reparei no lado negro da lua
E ele é mais escuro que imaginei

—-)-

Musa. DCLXVI

Link permanente Deixe um comentário

Cronologia

fevereiro 27, 2012 at 5:20 am (Uncategorized)

Deixei que a cronologia fizesse o trabalho.

-(—- Cronologia

Alguma vez que olhou pra si
Não viu nada e procurou em outrem
Transformou tudo em tragédia
Entregou-se a música
Deixou-se levar pela estrada
Afogou-se em meio sua mentira e masoquismo
Não piscou e mentiu uma lágrima
Olhou pro alto e gritou em loucura
Viu uma estrela oscilar ao seu olhar
Levou sua racionalidade lástima ao álcool
Falhou em sua maior causa
Achou que a piscina era rasa
Ficou em inércia e conheceu a gravidade
Viu que se virou pro lado errado
E apenas decidiu aguentar

—-)-

Musa. DCLXVI

Link permanente Deixe um comentário

Lágrimas Rasas I

fevereiro 24, 2012 at 5:02 am (Uncategorized)

Porque não choramos apenas quando estamos tristes.

-(—- Lágrimas Rasas I

A noite pulsa pensamentos
Meus dedos tremem com minha imaginação
Tanta intensidade, tanto momento
Vejo-me jogado em teus encantos
Em meio aos teus perfeitos defeitos
Teu sorriso que sempre queria estar certo
E teu olhar distante em reflexão
Vejo o brincar de teu andar
Entre gargalhadas desajeitadas
Timidez de querer esconder algo belo
E a preocupação com seus silêncios
Comigo apenas a admirar
A cara enfezada
Com as bochechas apertadas para agradar
Teu aceitar ser, ouvir e estar
Nada mais e nada menos, ideal
Pois vou te dar algumas palavras
Sentidas, vividas e minhas

Eu queria sorrir para ti só desta vez
E te dizer que não queria mais nada nesta vida

—-)-

Musa. DCLXVI

Link permanente Deixe um comentário

Relaxo

fevereiro 20, 2012 at 2:00 am (Uncategorized)

Seu cabelo foi embora com sua juventude.

-(—- Relaxo

Ausência é uma coisa tão relativa
Quando precisas, nem mesmo estás presente
Escapismo de realidade diz-se vício
Com as pernas tremendo ao ruído da tua voz
Disfarçado em pensamentos divergentes

O inspirar que tornou-se carbônico
Pura nicotina no ar puro do interior
Enquanto enegrecem seus pulmões em demasia
Tua alma vai-se encantando com o horror

Temporariamente, de repente, é tão perpétuo
Que tens completa consciência de teu defeito
Espelha-se ao teu redor ao se importar
Pensas em flashs, em todos teus feitos

Mesmo que não faças sempre sentido
Gostas mesmo é de se expressar
Quem não tem a mente vazia
Sempre tem a si com quem conversar

—-)-

Musa. DCLXVI

Link permanente Deixe um comentário

Brincadeira

fevereiro 14, 2012 at 1:06 am (Uncategorized)

Adquirindo, seguindo e descartando neste ciclo infinito.

-(—- Brincadeira

Conversamos todos os dias
Comigo, contigo, conosco e ainda falamos sozinhos
Nos rebelamos contra nossos antigos eus
Sem saber que tudo que repudiamos é o que somos
E que tudo que queríamos é vizinho

Eu te olho como quem não quer nada
Os olhos que não deixam mentir para o observador
Elogio como faria com qualquer verdade
Pensando em sua relatividade na minha realidade
Sentindo o punhal em minhas costas torcer
Sorrindo e fumando meu corpo nu em dor

E me olhas como quem me lê
Sádica vontade de ver minhas faces e expressões
Nesses movimentos de batuta e piscadelas alternadas
Espero que tenha alguém olhando por mim
Pois é possível, mas quero nunca ouvir dizer
‘Foram palavras ao vento perto do poder da sedução’

Como última cartada, lavo minhas mãos
Tiro da cartola um presente que sempre quis te dar
Uma brincadeira de verdade onde todos possam rir
Uma oportunidade perdida que nunca vai se repetir
Esse carinho não é eterno se não for real
Assim como a última despedida em um acenar

Musa. DCLXVI

Link permanente Deixe um comentário

Telefone

fevereiro 5, 2012 at 6:40 pm (Uncategorized)

Quando a ficha cai.

-(—- Telefone

Telefonei para ouvir-te um momento
Tua voz chorosa continha certa raiva
Deveras, visto o tanto que me ausento
“Sem motivos”, apenas isento

De vez em quando é bom fazer falta
Cultivar esperanças
Talvez ignorar tua pauta
E cantar uma nota mais alta

O tanto que quis me desabar em ti
Com socos disfarçados de palavras
É o tanto que sofri e sorri
Calado, mas quase morrendo ali

Só desta vez eu queria te contar
Toda rejeição por simples charme
Não há desculpas para remediar
Menos ações para cicatrizar

Eu te desliguei de tudo que foras
O mal que me fizeste está muito além
A ideia de você estar aí fora
Não me alegra mais, não mais agora

—-)-

Musa. DCLXVI

Link permanente Deixe um comentário

Anjos

janeiro 26, 2012 at 8:01 am (Neutra)

Tão simples. Tão puro.

-(—- Anjos

Tenho coisas a dizer
Sobre tuas asas
A respeito de nós
Acerca dos solitários

Ao ver-te pela segunda vez
Nunca mais quis te enaltecer
Pus-te aquém da minha realidade
O além que podes chegar

Eis que fostes a única
A possuir-me por dentro com um abraço
Enquanto sirvo minhas mentiras
Para mim, para todos

E sei do quanto nos isolamos
Do quanto queremos fazer falta
Quando nos resta apenas a ilusão
Só podemos fechar os olhos e voar

—-)-

Musa. DCLXVI

Link permanente Deixe um comentário

Falsificadores

janeiro 11, 2012 at 4:54 am (Negativa, Neutra)

É o que acontece quando nos calamos perante um sentimento que grita dentro de nós.

-(—- Falsificadores

A gente não sabe o que fazer
Sempre acha, nunca reconhece
Navalha-se a cada piscar
Orgulha-se de nunca ceder

A gente não sabe se expressar
Sempre esconde, nunca expõe
Enquanto o coração se consome
Solta soluços à luz do luar

A gente não sabe definir
Sempre enrola, nunca explica
Deprime-se sozinho
E espera o sono vir

A gente não sabe pedir
Sempre faz charme, nunca retribui
Não espera e quer mais
Sente o corpo todo tinir

A gente não sabe lidar
Sempre se preocupa, nunca demonstra
Não quer ouvir o sussurro
Não tem coragem de abraçar

A gente sabe estar
A gente sabe assistir
A gente sabe enganar
A gente sabe sorrir
A gente sabe calar
A gente sabe fingir

E como sabemos fingir…

—-)-

Musa. DCLXVI

Link permanente Deixe um comentário

Themis

dezembro 23, 2011 at 6:33 am (Uncategorized)

Primeira vez que coloco imagem. Nada mais justo.

-(—- Themis

Themis

Quando a mão Dela começa a pender
Seus olhos enxergam por baixo da venda
E você sabe disso, sabe perder
Sua espada não tem compaixão, conta a lenda
Mesmo assim você paga pra ver
Faz por onde, mesmo que não entenda
E não dá tempo de se arrepender

—-)-

Musa. DCLXVI

Link permanente Deixe um comentário

« Previous page · Next page »